| Único mimo que trouxe da Europa (e que comprei até agora) para filhinha |
Depois de quase três meses ausente deste blog, finalmente sobrou um tempinho para contar um pouco mais sobre como é estar grávida. Em resumo, as últimas 30 semanas (socorro, passa muito rápido) foram uma delícia. A barriga cresceu, o ponteiro da balança subiu, mas, mesmo assim, a sensação de carregar um bebê no ventre tem sido de imenso prazer. E não me impediu de fazer nadica de nada.
Em novembro, depois de cancelar repentinamente as passagens que compramos para férias no Recife, Jean e eu embarcamos para a Europa. Grávida de 23 semanas, encarei as 12 horas de avião até Frankfurt numa boa. O desconforto foi o mesmo de uma pessoa não grávida: banco apertado, voo lotado, comida razoável e uma certa pressão no ouvido.
Nos 25 de viagem, fiz absolutamente tudo o que faria sem a filhinha na barriga. Andei longas horas, carreguei dia sim dia não uma mochila de 13 quilos nas costas, dormi tarde, acordei cedo, passei frio, encarei locais lotados de turistas, dormi em quartos de hostel com um monte de gente desconhecida, provei pratos diferentes, chorei de emoção e me diverti muito. Até champagne (legítima) no alto da Torre Eiffel eu tomei. Um golinho só, pra brindar o amor, os amigos, à família e às viagens.
Por precaução, antes de viajar pedi um atestado médico para apresentar às companhias aéreas e comprei remédios para azia e dor. Felizmente, voltei sem ter precisado tomar nenhum deles. Também não tive enjoos, inchaço nem sono de mais. Claro, ao final do dia, estava sempre cansada e com um leve desconforto no calcanhar. Acredito que o peso extra, associado às caminhadas diárias de cerca de 10 quilômetros, exigiu bastante dos meus pés. Mas bastava uma boa noite de sono (e como tenho dormindo bem durante a gestação!) para me recuperar da aventura que foi desbravar mais um pedacinho do mundo.
E com minha babyzinha na barriga, desfrutei sem culpa e sem preocupações da viagem que não tivemos nem tempo de programar. Fiz planos de voltar a alguns dos lugares que visitamos (Frankfurt, Praga, Cracóvia/Auschwitz, Varsóvia, Berlim, Amsterdã e Paris) quando a Liz (sim, este é o nome dela) estiver grandinha o suficiente para entender o que os livros de História e Geografia não contam, o que a TV e a internet não mostram e o que as fotos não transmitem. Quero que ela veja o mundo como ele realmente é, sem as fantasias das revistas de turismo, mas com a emoção e o drama que está em cada esquina, em cada olhar. Quero que ela sempre volte para casa, sem presentes nem sulvenires. Só desejo que traga na babagem o que nem Mastercard pode pagar. E isso, só quem se entrega a conhecer o mundo sem preconceito nem arrogância sabe o que é.





